Fé Atual

A fé dos apóstolos é a nossa fé católica

Tributo ao Padre Léo - Com. Canção Nova

Prezados jovens

1. A XXIII Jornada Mundial da Juventude
Recordo sempre com grande alegria os vários momentos transcorridos juntos em Colónia, em Agosto de 2005. No final daquela inesquecível manifestação de fé e de entusiasmo, que permanece impressa no meu espírito e no meu coração, marquei encontro convosco para a próxima reunião que terá lugar em Sydney em 2008. Será a XXIII Jornada Mundial da Juventude e terá como tema: “Ides receber uma força, a do Espírito Santo, que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas” (Act 1, 8). O fio condutor da preparação espiritual para o encontro de Sydney é o Espírito Santo e a missão. Se em 2006 parámos para meditar sobre o Espírito Santo como Espírito de verdade, em 2007 procuramos descobri-lo mais profundamente, como Espírito de amor, para nos encaminharmos depois rumo à Jornada Mundial da Juventude de 2008, reflectindo acerca do Espírito de fortaleza e testemunho, que nos dá a coragem de viver o Evangelho e a audácia para o proclamar. Por isso, é fundamental que cada um de vós, jovens, na comunidade e com os educadores, possa reflectir sobre este Protagonista da história da salvação, que é o Espírito Santo ou Espírito de Jesus, para alcançar estas altas finalidades: reconhecer a verdadeira identidade do Espírito, em primeiro lugar ouvindo a Palavra de Deus na Revelação da Bíblia; tomar uma consciência límpida da sua presença contínua e activa na vida da Igreja, em particular redescobrindo que o Espírito Santo se põe como “alma”, sopro vital da própria vida cristã, graças aos sacramentos da iniciação cristã Baptismo, Confirmação e Eucaristia; tornar-se assim capaz de amadurecer uma compreensão de Jesus cada vez mais profunda e alegre e, contemporaneamente, de realizar uma prática eficaz do Evangelho no alvorecer do terceiro milénio. Com esta mensagem, ofereço-vos de bom grado um percurso de meditação para aprofundar ao longo deste ano de preparação, no qual verificar a qualidade da vossa fé no Espírito Santo, reencontrá-la se foi perdida, revigorá-la se está debilitada e saboreá-la como companhia do Pai e do Filho Jesus Cristo, precisamente graças à obra indispensável do Espírito Santo. Nunca esqueçais que a Igreja, aliás a própria humanidade, a que vos circunda e a que vos aguarda no futuro, espera muito de vós, jovens, porque tendes em vós o dom supremo do Pai, o Espírito de Jesus.

2. A promessa do Espírito Santo na Bíblia
A escuta atenta da Palavra de Deus a respeito do mistério e da obra do Espírito Santo introduz-nos em conhecimentos vastos e estimulantes, que resumo nos seguintes pontos.
Pouco antes da sua ascensão, Jesus disse aos discípulos: “Eu vou mandar sobre vós o que meu Pai prometeu” (Lc 24, 49). Isto realizou-se no dia do Pentecostes, quando eles estavam reunidos em oração no Cenáculo com a Virgem Maria. A efusão do Espírito Santo na Igreja nascente foi o cumprimento de uma promessa de Deus, muito mais antiga, anunciada e preparada em todo o Antigo Testamento.
Com efeito, desde as primeiras páginas a Bíblia evoca o espírito de Deus como um sopro que “se movia sobre a superfície das águas” (cf. Gn 1, 2) e especifica que Deus insuflou pelas narinas do homem um sopro de vida (cf. Gn 2, 7), infundindo-lhe assim a própria vida. Depois do pecado original, o espírito vivificador de Deus manifestar-se-á diversas vezes na história dos homens, suscitando profetas para incitar o povo eleito a voltar para Deus e a observar fielmente os seus mandamentos. Na célebre visão do profeta Ezequiel, Deus faz reviver com o seu espírito o povo de Israel, representado por “ossos dissecados” (cf. 37, 1-14). Joel profetiza uma “efusão do espírito” sobre todo o povo, sem excluir ninguém: “Depois disto escreve o Autor sagrado acontecerá que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne… Naqueles dias, derramarei também o meu Espírito sobre os escravos e as escravas” (3, 1-2).
Na “plenitude dos tempos” (cf. Gl 4, 4), o anjo do Senhor anuncia à Virgem de Nazaré que o Espírito Santo, “poder do Altíssimo”, descerá e estenderá sobre ela a sua sombra. Aquele que Ela dará à luz será, portanto, santo e chamado Filho de Deus (cf. Lc 1, 35). Segundo a expressão do profeta Isaías, o Messias será Aquele sobre o qual se repousará o Espírito do Senhor (cf. 11, 1-2; 42, 1). Jesus retomou precisamente esta profecia no início do seu ministério público na sinagoga de Nazaré: “O Espírito do Senhor disse Ele, no meio da admiração dos presentes está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa Nova aos pobres; enviou-me para proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, o recobrar da vista; para mandar em liberdade os oprimidos e proclamar um ano de graça do Senhor” (Lc 4, 18-19; cf. Is 61, 1-2). Dirigindo-se aos presentes, referirá a si mesmo estas palavras proféticas, afirmando: “Cumpriu-se hoje esta passagem da Escritura, que acabastes de ouvir” (Lc 4, 21). E antes da sua morte na cruz, ainda anunciará várias vezes aos discípulos a vinda do Espírito Santo, o “Consolador”, cuja missão consistirá em dar-lhe testemunho e assistir os fiéis, ensinando-os e orientando-os para a Verdade integral (cf. Jo 14, 16-17.25-26; 15, 26; 16, 13).

3. O Pentecostes, ponto de partida da missão da Igreja
À noite, no dia da sua ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos, “soprou sobre eles e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo”" (Jo 20, 22). Com força ainda maior, o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos no dia do Pentecostes: “Subitamente ressoou, vindo do Céu lê-se nos Actos dos Apóstolos um som comparável ao de forte rajada de vento, que encheu toda a casa onde se encontravam. Viram, então, aparecer umas línguas à maneira de fogo, que se iam dividindo, e pousou sobre cada um deles” (2, 2-3).
O Espírito Santo renovou interiormente os Apóstolos, revestindo-os de uma força que os tornou audazes para anunciar sem medo: “Cristo morreu e ressuscitou!”. Livres de todo o temor, eles começaram a falar com franqueza (cf. Act 2, 29; 4, 13; 4, 29.31). De pescadores amedrontados, tornaram-se corajosos anunciadores do Evangelho. Nem sequer os seus inimigos conseguiam compreender como homens “iletrados e plebeus” (cf. Act 4, 13) eram capazes de manifestar uma coragem como esta e suportar as contrariedades, os sofrimentos e as perseguições com alegria. Nada podia detê-los. Àqueles que procuravam reduzi-los ao silêncio, respondiam: “Quanto a nós, não podemos deixar de afirmar publicamente o que vimos e ouvimos” (Act 4, 20). Assim nasceu a Igreja, que a partir do dia do Pentecostes não cessou de irradiar a Boa Nova “até aos confins do mundo” (Act 1, 8).

4. O Espírito Santo alma da Igreja e princípio de comunhão
Mas para compreender a missão da Igreja, temos que voltar ao Cenáculo, onde os discípulos estavam reunidos (cf. Lc 24, 49) a rezar com Maria, a “Mãe”, à espera do Espírito prometido. Neste ícone da Igreja nascente devem inspirar-se constantemente todas as comunidades cristãs. A fecundidade apostólica e missionária não é principalmente o resultado de programas e métodos pastorais sabiamente elaborados e “eficazes”, mas é fruto da oração comunitária incessante (cf. Paulo VI, Exortação Apostólica Evangelii nuntiandi, 75). Além disso, a eficácia da missão pressupõe que as comunidades permaneçam unidas, ou seja, tenham “um só coração e uma só alma” (cf. Act 4, 32) e estejam dispostas a dar testemunho do amor e da alegria que o Espírito Santo infunde nos corações dos fiéis (cf. Act 2, 42). O Servo de Deus João Paulo II pôde escrever que antes de ser acção, a missão da Igreja é testemunho e irradiação (cf. Encíclica Redemptoris missio, 26). Assim aconteceu nos primórdios do cristianismo, quando os pagãos escreve Tertuliano se convertiam ao verem o amor que reinava entre os cristãos: “Vê dizem como se amam uns aos outros” (cf. Apologético, 39 7).
Concluindo esta rápida consideração da Palavra de Deus na Bíblia, convido-vos a observar como o Espírito Santo é o dom mais excelso de Deus ao homem e, portanto, o testemunho supremo do seu amor por nós, um amor que se expressa concretamente como “sim à vida” que Deus deseja para cada uma das suas criaturas. Este “sim à vida” tem a sua forma plena em Jesus de Nazaré e na sua vitória sobre o mal, mediante a redenção. A este propósito, nunca esqueçamos que o Evangelho de Jesus, precisamente em virtude do Espírito, não se reduz a uma simples constatação, mas quer tornar-se “boa nova para os pobres, libertação para os prisioneiros, vista para os cegos…”. É aquilo que se manifestou com vigor no dia do Pentecostes, tornando-se graça e tarefa da Igreja em favor do mundo, a sua missão prioritária.
Nós somos os frutos desta missão da Igreja, por obra do Espírito Santo. Trazemos dentro de nós aquele selo do amor do Pai em Jesus Cristo, que é o Espírito Santo. Nunca o esqueçamos, porque o Espírito do Senhor se recorda sempre de cada um e quer, em particular mediante vós, jovens, suscitar no mundo o vento e o fogo de um novo Pentecostes.

5. O Espírito Santo “Mestre interior”
Estimados jovens, portanto também hoje o Espírito Santo continua a agir com poder na Igreja, e os seus frutos são abundantes na medida em que se dispõem a abrir-nos à sua força renovadora. Por isso, é importante que cada um de nós O conheça, entre em relação com Ele e por Ele se deixe orientar. Mas nesta altura apresenta-se naturalmente uma pergunta: quem é para mim o Espírito Santo? Com efeito, não são poucos os cristãos para os quais Ele continua a ser o “grande desconhecido”. Eis por que, ao preparar-nos para a próxima Jornada Mundial da Juventude, desejei convidar-vos a aprofundar o conhecimento pessoal do Espírito Santo. Na nossa profissão de fé, proclamamos: “Creio no Espírito Santo, que é Senhor e dá a vida, e procede do Pai e do Filho” (Símbolo Niceno-Constantinopolitano). Sim, o Espírito Santo, Espírito de amor do Pai e do Filho, é Fonte de vida que nos santifica, “porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações, pelo Espírito Santo que nos foi concedido” (Rm 5, 5). Todavia, não é suficiente conhecê-lo; é necessário acolhê-lo como guia das nossas almas, como o “Mestre interior” que nos introduz no Mistério trinitário, porque somente Ele pode abrir-nos à fé e permitir-nos vivê-la plenamente todos os dias. Ele impele-nos rumo aos outros, acende em nós o fogo do amor e torna-nos missionários da caridade de Deus.
Bem sei como vós, jovens, tendes no coração uma grande estima e amor a Jesus, como desejais encontrá-lo e falar com Ele. Pois bem, recordai-vos que precisamente a presença do Espírito em nós atesta, constitui e constrói a nossa pessoa na própria Pessoa de Jesus crucificado e ressuscitado. Portanto, tornemo-nos familiares com o Espírito Santo, para o sermos com Jesus.

6. Os Sacramentos da Confirmação e da Eucaristia
Mas direis como podemos deixar-nos renovar pelo Espírito Santo e crescer na nossa vida espiritual? A resposta sabeis é: através dos sacramentos, porque a fé nasce e se fortalece em nós graças aos sacramentos, antes de tudo aos sacramentos da iniciação cristã: o Baptismo, a Confirmação e a Eucaristia, que são complementares e inseparáveis (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1285). Esta verdade sobre os três sacramentos que se encontram no início do nosso ser cristãos é, talvez, descuidada na vida de fé de não poucos cristãos, para os quais eles são gestos cumpridos no passado, sem incidência real no presente, como raízes desprovidas da linfa vital. Acontece que, depois de terem recebido a Confirmação, diversos jovens se afastam da vida de fé. E há também jovens que nem sequer recebem este sacramento. Contudo, é mediante os sacramentos do Baptismo, da Confirmação e em seguida, de modo continuativo, da Eucaristia, que o Espírito Santo nos torna filhos do Pai, irmãos de Jesus, membros da sua Igreja, capazes de um verdadeiro testemunho do Evangelho, fruidores da alegria da fé.
Por isso, convido-vos a reflectir sobre aquilo que vos escrevo. Hoje é particularmente importante redescobrir o sacramento da Confirmação e voltar a encontrar o seu valor para o nosso crescimento espiritual. Quem recebeu os sacramentos do Baptismo e da Confirmação recorde-se que se tornou “templo do Espírito”: Deus habita nele. Esteja sempre consciente disto e faça com que o tesouro que nele se encontra dê frutos de santidade. Quem é baptizado, mas ainda não recebeu o sacramento da Confirmação, prepare-se para o receber, consciente de que assim há-de tornar-se um cristão “completo”, porque a Confirmação aperfeiçoa a graça baptismal (cf. Catecismo da Igreja Católica, nn. 1302-1304).
A Confirmação dá-nos uma força especial para testemunhar e glorificar a Deus com toda a nossa vida (cf. Rm 12, 1); torna-nos intimamente conscientes da nossa pertença à Igreja, “Corpo de Cristo”, de Quem todos nós somos membros vivos, solidários uns com os outros (cf. 1 Cor 12, 12-25). Deixando-se orientar pelo Espírito, cada baptizado pode oferecer a sua contribuição para a edificação da Igreja, graças aos carismas que Ele infunde, porque “a manifestação do Espírito é dada a cada um, para proveito comum” (1 Cor 12, 7). E quando o Espírito age, traz na própria alma os seus frutos, que são “caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança” (Gl 5, 22). A quantos ainda não receberam o sacramento da Confirmação, dirijo o cordial convite a preparar-se para o acolher, pedindo ajuda aos seus sacerdotes. O Senhor oferece-vos uma especial ocasião de graça: não a deixeis fugir!
Aqui, gostaria de acrescentar uma palavra sobre a Eucaristia. Para crescer na vida cristã, é necessário alimentar-se do Corpo e Sangue de Cristo: com efeito, somos baptizados e confirmados em vista da Eucaristia (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1322; Exortação Apostólica Sacramentum caritatis, 17). “Fonte e ápice” da vida eclesial, a Eucaristia é um “Pentecostes perpétuo”, porque cada vez que celebramos a Santa Missa recebemos o Espírito Santo que nos une mais profundamente a Cristo e nele nos transforma. Queridos jovens, se participardes frequentemente na Celebração eucarística, se consagrardes um pouco do vosso tempo à adoração do Santíssimo Sacramento, da Fonte do amor, que é a Eucaristia, haveis de receber aquela alegre determinação de dedicar a vida ao seguimento do Evangelho. Experimentareis, ao mesmo tempo, que quando as nossas forças não são suficientes, é o Espírito Santo que nos transforma, que nos cumula com a sua força e nos torna testemunhas repletas do ardor missionário de Cristo ressuscitado.

7. A necessidade e a urgência da missão
Muitos jovens reflectem sobre a sua vida com apreensão e formulam muitas interrogações acerca do seu futuro. Preocupados, eles perguntam-se: como inserir-se num mundo assinalado por numerosas e graves injustiças e sofrimentos? Como reagir ao egoísmo e à violência, que por vezes parecem prevalecer? Como dar pleno sentido à vida? Como contribuir para que os frutos do Espírito, que recordámos acima, “caridade, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e temperança” (ponto n. 6), inundem este mundo ferido e frágil, antes de tudo o mundo dos jovens? Com que condições o Espírito vivificador da primeira criação, e sobretudo da segunda criação ou redenção, pode tornar-se a nova alma da humanidade? Não esqueçamos que quanto maior é o dom de Deus e o do Espírito de Jesus é o máximo tanto maior é a necessidade que o mundo tem de o receber e, portanto, tanto maior e mais apaixonante é a missão da Igreja de dar testemunho credível do mesmo. E vós jovens, com a Jornada Mundial da Juventude, de certo modo testemunhais a vontade de participar em tal missão.
Caros amigos, a este propósito quero recordar-vos aqui algumas verdades de referência sobre as quais meditar. Mais uma vez, repito-vos que somente Cristo pode satisfazer as aspirações mais íntimas do coração do homem; só Ele é capaz de humanizar a humanidade e conduzi-la à sua “divinização”. Com o poder do seu Espírito, Ele infunde em nós a caridade divina, que nos torna capazes de amar o próximo e de nos pormos com disponibilidade ao seu serviço. Revelando Cristo crucificado e ressuscitado, o Espírito Santo ilumina, indica-nos a vida para nos tornarmos mais semelhantes a Ele, ou seja, para sermos “expressão e instrumento do amor que dele dimana” (Encíclica Deus caritas est, 33). E quem se deixa guiar pelo Espírito, compreende que pôr-se ao serviço do Evangelho não é uma opção facultativa, porque sente como é urgente transmitir esta Boa Nova também aos outros. Todavia, é necessário voltar a recordá-lo, só podemos ser testemunhas de Cristo se nos deixarmos guiar pelo Espírito Santo, que é “o agente principal da evangelização” (cf. Evangelii nuntiandi, 75) e “o protagonista da missão” (cf. Redemptoris missio, 21).
Dilectos jovens, como reiteraram várias vezes os meus venerados Predecessores Paulo VI e João Paulo II, anunciar o Evangelho e dar testemunho da fé é hoje mais necessário do que nunca (cf. Redemptoris missio, 1). Alguns pensam que apresentar o tesouro precioso da fé às pessoas que não a compartilham significa ser intolerante para com elas, mas não é assim, porque propor Cristo não significa impô-lo (cf. Evangelii nuntiandi, 80). De resto, há dois mil anos doze Apóstolos deram a vida para que Cristo fosse conhecido e amado. A partir de então, o Evangelho continua a difundir-se ao longo dos séculos, graças a homens e mulheres animados pelo seu próprio zelo missionário. Portanto, também hoje são necessários discípulos de Cristo que não poupem tempo nem energias para servir o Evangelho. São precisos jovens que deixem arder dentro de si o amor a Deus e respondam generosamente ao seu apelo urgente, como fizeram muitos jovens Beatos e Santos do passado e inclusive de épocas mais próximas a nós. Em particular, asseguro-vos que o Espírito de Jesus hoje vos convida, jovens, a serdes portadores da Boa Nova de Jesus aos vossos coetâneos. A indubitável dificuldade que os adultos têm de encontrar de maneira compreensível e convincente a classe juvenil pode ser um sinal com que o Espírito tenciona impelir-vos, jovens, a assumir esta responsabilidade. Vós conheceis os ideais, as linguagens e também as feridas, as expectativas e ao mesmo tempo o desejo de bem dos vossos coetâneos. Abre-se o vasto mundo dos afectos, do trabalho, da formação, da expectativa, do sofrimento juvenil… Cada um de vós tenha a coragem de prometer ao Espírito Santo que conduzirá um jovem para Jesus Cristo, do modo como melhor considerar, sabendo “responder com doçura a todo aquele que vos perguntar a razão da vossa esperança” (cf. 1 Pd 3, 15).
Mas para alcançar esta finalidade, queridos amigos, sede santos, sede missionários, porque nunca se pode separar a santidade da missão (cf. Redemptoris missio, 90). Não tenhais medo de ser santos missionários, como São Francisco Xavier, que percorreu o Extremo Oriente para anunciar a Boa Nova até ao extremo das suas forças, ou como Santa Teresa do Menino Jesus, que foi missionária, contudo sem jamais ter deixado o Carmelo: ambos são “Padroeiros das Missões”. Estai prontos a pôr em jogo a vossa vida, para iluminar o mundo com a verdade de Cristo; para responder com amor ao ódio e ao desprezo pela vida; e para proclamar em todos os cantos da terra a esperança de Cristo ressuscitado.

8. Invocar um “novo Pentecostes” sobre o mundo
Prezados jovens, aguardo-vos numerosos em Julho de 2008 em Sydney. Será uma ocasião providencial para experimentar plenamente o poder do Espírito Santo. Vinde em grande número, para serdes sinal de esperança e sustento precioso para as comunidades da Igreja na Austrália, que estão a preparar-se para vos receber. Para os jovens do país que nos hospedará, será uma extraordinária oportunidade de anunciar a beleza e a alegria do Evangelho a uma sociedade sob muitos aspectos secularizada. Como toda a Oceânia, a Austrália tem necessidade de descobrir novamente as suas raízes cristãs. Na Exortação pós-sinodal Ecclesia in Oceania, João Paulo II escrevia: “Com a força do Espírito Santo, a Igreja na Oceânia está a preparar-se para uma nova evangelização de povos que hoje têm fome de Cristo… A nova evangelização é uma prioridade para a Igreja na Oceânia” (n. 18).
Convido-vos a dedicar tempo à oração e à vossa formação espiritual neste último trecho do caminho que nos conduz à XXIII Jornada Mundial da Juventude, a fim de que em Sydney possais renovar as promessas do vosso Baptismo e da vossa Confirmação. Em conjunto, invocaremos o Espírito Santo, pedindo com confiança a Deus o dom de um renovado Pentecostes para a Igreja e para a humanidade do terceiro milénio.
Maria, unida em oração aos Apóstolos no Cenáculo, vos acompanhe durante estes meses e obtenha para todos os jovens cristãos uma renovada efusão do Espírito Santo, que inflame os seus corações. Recordai: a Igreja tem confiança em vós! Nós Pastores, de modo particular, rezamos para que vos ameis e façais com que Jesus seja cada vez mais amado, e a fim de que O sigais fielmente. Com estes sentimentos, abençoo-vos a todos com grande carinho.

Lorenzago, 20 de Julho de 2007.

Oração pelo Papa Bento XVI


Reza-se diariamente:
Ó Jesus cabeça invisível da Santa Igreja, que a fundastes sobre uma firme pedra, e prometestes que as portas do inferno nunca prevalecerão contra ela, conservai, fortificai e guiai aquele que lhe destes por cabeça visível. Fazei que ele seja o modelo do vosso rebanho, assim como é o seu pastor. Seja ele sempre o primeiro pela sua santidade, doutrina e paciência, assim como o é pela sua dignidade; seja ele o digno Vigário da vossa Caridade, assim como o é da vossa Autoridade. Inspirai-lhe um zelo ardente da vossa glória, da salvação das almas e da santa religião. Dai-lhe coragem invencível para combater os inimigos do vosso Santo Nome, e uma firmeza inabalável, para se opor aos estragos do erro e da impiedade. Dai-lhe a plenitude do vosso espírito, para conduzir a barca agitada da vossa Santa Igreja enfrentando e vencendo os escolhos que a cercam.

Consolai o seu coração aflito, sustentai a sua alma abatida, fazei voltar as suas ovelhas desgarradas. Ajudai-o a levar o peso da sua alta dignidade e de todos os trabalhos que a acompanham. Dignai-Vos, ó meu Deus, escutar benigno os votos que Vos dirigimos por ele, e concedei-lhe longos anos e muita saúde, para aumentar a vossa glória e o triunfo da vossa Santa Religião.

V. Oremos pelo nosso Sumo Pontífice Bento XVI

R. O Senhor o conserve, vivifique e faça feliz na terra, e não o entregue nas mãos dos seus inimigos. Ámen.

Pai Nosso, Ave-Maria e Glória (300 dias de indulgência)

Jesus, Nosso Senhor, cobri com a protecção do vosso divino Coração o nosso Santíssimo Padre Bento XVI e sede a sua luz, a sua força e o seu consolo. (300 dias de indulgência)

Comercial da Igreja Católica nos EUA

Nossa família é feita de todas as raças
Nós somos jovens e velhos, Ricos e pobres,
homens e mulheres Pecadores e santos.

Nossa família se difundiu pelos séculose pelo mundo.
Com a graça de Deus, nós abrimos hospitais para cuidar dos doentes.
Fundamos orfanatos e ajudamos os pobres.

Nós somos a maior organização caritativa no planeta,
trazendo alívio e conforto para aqueles que precisam.
Nós educamos mais crianças do que
qualquer outra instituição educativa ou religiosa.

Nós desenvolvemos o método científico e as leis de evidência.
Nós fundamos o sistema universitário.
Nós defendemos a dignidade de toda vida humana
e preservamos o casamento e a família.

Cidades receberam os nomes de nossos venerados santos,
que percorreram o caminho da santidade antes de nós.
Guiados pelo Espírito Santo, nós compilamos a Bíblia.

Nós somos transformados pela Sagrada Escritura e pela Sagrada Tradição,
que nos têm guiado firmemente por dois mil anos.
Nós somos a Igreja Católica

Com mais de um bilhão na nossa família
compartilhando dos sacramentos e da plenitude da fé cristã.
Por séculos nós temos rezado por você
e por todo o mundo,a cada hora, a cada dia,
sempre que celebramos a Missa.

O próprio Jesus lançou as fundações de nossa fé quando disse a Pedro,
“Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”
Por mais de dois mil anos, nós tivemos uma linha
ininterrupta de pastores guiando a Igreja Católica com amor e verdade,
num mundo confuso e doloroso para se viver.

E nesse mundo cheio de caos, dificuldades e dor,
é reconfortante saber que algumas coisas
permanecem coerentes, verdadeiras e fortes:
nossa fé católica e o eterno amor que Deus tem por toda a criação.

Se você esteve fora da Igreja Católica,
nós convidamos você a um novo olhar.
Nossa família é unida em Jesus Cristo,
nosso Senhor e Salvador.

Nós somos católicos.
Bem vindo a sua casa!

Nascido na Itália, já aos seis anos de idade repetia com tanta candura e unção os sermões que ouvira, e produzia assim tanto bem às almas, que foi encarregado pelo seu bispo de “pregar” na catedral. Foi religioso capuchinho e superior geral de sua Ordem. Pregador inspirado, lutou arduamente contra os erros protestantes e desempenhou missões diplomáticas importantes a serviço da Igreja e do Papado. Possuía grande erudição e dominava perfeitamente os idiomas grego e hebraico, tendo grande autoridade em Escriturística. Deixou obras escritas de polêmica antiprotestante e de exegese bíblica.

fonte: http://www.aparecidapoa.com.br/santos_julho.htm

Homilia da Missa de Abertura da JMJ-2008

HOMILIA DO CARD. PELL

HOMILIA DA MISSA DE ABERTURA DA JMJ 08 EM BARANGAROO – TERÇA, 15 DE JULHO DE 2008.

1ª Leitura: Ezequiel 37, 1-14.Salmo Responsorial 23.2ª Leitura: Gálatas 5, 16-17.Evangelho: Lucas 8. 4-15.

Todos nós sabemos que Cristo Nosso Senhor é freqüentemente descrito como O Bom Pastor do salmo responsorial de hoje. Nós dizemos que Ele nos leva a águas refrescantes, reanima nossos espíritos cansados, e nos leva a descansar em paz.
Ao descrever esta imagem, em certa ocasião, Jesus explicou que um pastor estava preparado a abandonar as 99 ovelhas para buscar uma que estava perdida.
Poucos países hoje possuem pastores que cuidam de apenas 20 ou 30 ovelhas, e na Austrália, com grandes fazendas e enormes rebanhos, Nosso Senhor nos adverte que isto não é nada prático.
Jesus dizia que tanto Ele quanto Seu Pai não são assim, porque Ele conhece cada uma de Suas ovelhas e como um bom pai Ele vai em busca daqueles que Ele ama, particularmente se este filho estiver doente, com problemas, ou incapaz de ajudar a si mesmo.
Mais cedo, nesta Missa, nós os acolhemos nesta semana da JMJ, e eu repito que todos são bem vindos. Mas eu não inicio com 99 boas ovelhas, que se encontrão preparadas para se abrir ao Espírito Santo, talvez já estejam prontas para testemunhar o amor e a fé. Eu inicio acolhendo e encorajando a cada um, onde quer que ele ou ela se encontre perdido, em profunda aflição, com a esperança diminuída ou mesmo esgotada.
Jovem ou velho, mulher ou homem, Cristo ainda chama aqueles que sofrem para repousarem Nele, como tem feito há dois mil anos. As causas de seu sofrimento se tornam secundárias, sejam elas as drogas ou o álcool, rompimentos familiares, luxúrias da carne, solidão ou a morte. Talvez até mesmo o vazio do sucesso.
O chamado de Cristo é para todos os que sofrem, não só para os católicos ou os outros cristãos, mas especialmente para aqueles que não possuem religião. Cristo te chama de volta a casa, ao amor, à cura e a vida em comunidade.
A nossa primeira leitura de hoje é a do Livro de Ezequiel, que com Isaías e Jeremias, é um dos três maiores profetas judeus. Muitos lugares da Austrália ainda estão na seca, logo todos os australianos entendem o que é uma planície coberta de ossos secos e esqueletos. Mas esta visão deprimente é ofertada antes de tudo, para todos aqueles que ainda se sentem tentados a dizer “nossa esperança acabou, nós valemos tanto quanto estes mortos”.
Esta visão da planície coberta de ossos, a mais espetacular em toda a Bíblia, foi dada quando a mão de Deus se estendeu até Ezequiel enquanto os judeus estavam em cativeiro da Babilônia, provavelmente bem antes do século VI a. C. Por aproximadamente 150 Anos, o poder político do povo judeu entrou em declínio, antes de tudo, nas mãos dos assírios. Mais tarde, no ano de 587 a.C., veio a catastrófica derrota final e sua migração para o exílio. O povo judeu estava em desespero, incapaz de mudar esta situação.
Este é o contexto histórico da dramática visão de Ezequiel onde os mortos estavam verdadeiramente mortos, ossos dessecados pelos pássaros que havia terminado seu tenebroso trabalho de devorar toda a carne. Este foi um imenso campo de batalha dos que não foram enterrados.
Um hesitante e relutante Ezequiel foi convencido por Deus a profetizar sobres estes ossos e como Ele fez então com que os ossos se reunissem sob barulho ensurdecedor, seguido de um tremor de terra.
Outra etapa se fez necessária e o sopro do Espírito veio dos quatro cantos do mundo e penetrou sobre os corpos: “Retornando à vida, eles se levantaram sobre seus pés: um grande, um imenso exército.”
Enquanto nós enxergamos esta visão como uma prefiguração da ressurreição dos mortos, os judeus da época de Ezequiel não acreditaram em uma concepção de vida eterna. Para eles, o imenso exército ressuscitado representava todo o povo judeu, aqueles vindos do reino do norte que tomaram a Assíria, os de sua terra e os da Babilônia. Eles teriam sido reconstituídos como um povo em sua própria terra e eles sabiam que somente um único e verdadeiro Deus poderia realizar isto. E que todos vieram de passagem.
Através dos séculos, nós Cristãos temos usado liturgicamente esta passagem na Páscoa, especialmente para o batismo dos catecúmenos na noite do Sábado de Aleluia e isto é, obviamente, o poder regenerativo de um Deus único e verdadeiro para esta vida e a eternidade.
A sabedoria secular diz que os leopardos não mudam de pele, mas nós Cristãos acreditamos que no Poder do Espírito que converte e modifica as pessoas do mal para o bem, do medo e incerteza para a fé e esperança.
Confiantes e tocados pela visão de Ezequiel, porque conhecemos o poder do perdão de Deus, a capacidade de Cristo e da tradição católica de causar o florescer de uma nova vida mesmo nas piores circunstâncias.
O mesmo poder vislumbrado na visão de Ezequiel é ofertado a nós hoje, a todos nós, sem exceção. Vocês, jovens peregrinos, podem olhar para o futuro estendido diante de vocês, tão rico em promessas. A Parábola do Semeador e o que foi visto nos recorda a grande oportunidade de abraçar a sua vocação e produzir uma abundante colheita, com frutos a cem por um.
Matheus, Marcos e Lucas, todos colocaram a história do semeador em suas coletâneas das Parábolas de Jesus. Ela explica algumas verdades fundamentais sobre os desafios dos discípulos de Cristo e lista as alternativas para uma frutífera vida em Cristo. A fidelidade não é automática e nem inevitável.
Um detalhe torna a parábola mais plausível, porque parece que os judeus no tempo de Nosso Senhor lançaram a semente ao solo e depois o araram, explicando um pouco melhor a semente sendo lançada tanto em terras infrutíferas quanto em terras boas.
Estaremos nós entre aqueles cuja fé foi tomada pelo demônio, como Nosso Senhor explica na imagem dos pássaros do céu comendo a semente? Nenhum daqueles estaria nesta missa. Alguns podem estar como a semente no pedregulho que não puderam criar raízes. Aqui nesta segunda categoria, estão aqueles que se esforçam para retomar a vida espiritual, ou estão ao menos analisando a possibilidade de fazê-lo. Mas, muitos dentre nós estamos na terceira ou quarta categorias, onde a semente foi lançada em solos férteis e está crescendo e florescendo; ou estamos correndo o risco de sermos desviados pelas preocupações da vida. Todos nós, incluindo aqueles que não são tão jovens, temos que rezar por sabedoria e perseverança.
Eu não tenho nenhum problema em acreditar que Nosso Senhor explicou o significado desta parábola para os seus seguidores mais próximos e que Ele tenha pedido a eles que também a explicassem regularmente. Mas os questionamentos dos discípulos provocaram uma desconcertante resposta, quando Nosso Senhor divide seus ouvintes em dois grupos; aqueles para os quais os mistérios do reino são revelados e outros entre aqueles para os quais as parábolas significam somente parábolas. Este segundo grupo é descrito pelo profeta Isaías como aqueles que “que têm olhos para ver e não vêem nada, ouvidos para escutar, a nada ouvem”. Provavelmente o espanto dos discípulos de Nosso Senhor se dá pelo grande número daqueles que não aceitam este ensinamento.
Por que isto ainda acontece? O que devemos fazer para estar entre aqueles para os quais os mistérios do Reino são revelados?
O chamado do Deus único e verdadeiro parece misterioso, especialmente nos dias de hoje em que muitas pessoas boas acham difícil acreditar.
Mesmo nos tempos dos profetas, muitos dos seus ouvintes pareciam surdos e cegos, enquanto algumas eras admiraram a beleza da doutrina de Cristo, mas nunca se mobilizaram a responder a este chamado.
Nossa tarefa é estarmos abertos ao Poder do Espírito, e permitirmos que o Deus do inesperado aja através de nós. A motivação humana é complexa e misteriosa, porque algumas vezes os muito católicos, e outros muito cristãos, podem estar sempre em oração e praticando o bem, mas ainda que muito determinados não conseguem dar um passo adiante. Por outro lado, muitos seguidores de Cristo podem ser menos zelosos e crentes, mas abertos ao desenvolvimento, a mudar para melhor porque reconhecem seu desmerecimento e sua ignorância. Onde vocês se encaixam?
Qualquer que seja nossa situação devemos rezar por uma abertura de coração, por estarmos dispostos a dar o próximo passo, ainda que tenhamos medo de nos arriscar demais. Se tomarmos a mãos de Deus, Ele fará o resto. Confiança é a chave. Deus não falhará conosco.
Como devemos agir para evitar escorregar da última e melhor categoria dos que frutificam a semente para a daqueles que “sufocados pelos cuidados, pelas riquezas e pelos prazeres da vida, não dão frutos”? 3
A segunda leitura, da Carta de São Paulo aos Gálatas, nos aponta a direção certa, nos mostrando a todos nós que cada pessoa deve se posicionar na velha batalha entre o bem e o mal, entre o que Paulo chama de Carne e Espírito. Não é suficiente estar apenas de passagem, tentando viver “em cima do muro” entre os dois lados. A vida nos força a escolher, e eventualmente destrói qualquer possibilidade de neutralidade.
Colheremos bons frutos ao aprender a mensagem da Cruz e gravá-la em nossos corações. A mensagem da Cruz nos traz os frutos do Espírito listados por Paulo, nos habilita a viver a paz e a alegria, a sermos sempre gentis e generosos com os outros. Seguir Jesus não tem custo zero, e nem sempre é fácil, porque requer resistir contra o que Paulo chama de “Carne”, o nosso contínuo ego inflamado, o velho egoísmo. Esta é sempre uma batalha, até mesmo para pessoas velhas como eu!
Não desperdicem suas vidas sentados no muro, mantendo suas opções em aberto, porque só o comprometimento leva à satisfação. A felicidade vem do cumprimento de nossas obrigações, de fazer a nossa parte, especialmente em pequenas e cotidianas questões, e então nos ergueremos para enfrentar maiores desafios. Muitos encontraram seu chamado para a vida nas Jornadas Mundiais da Juventude.
Ser um discípulo de Jesus requer disciplina, principalmente autodisciplina; o que Paulo chama de autocontrole. A prática do autocontrole não o tornará perfeito, mas o autocontrole é necessário para desenvolver e proteger o amor em nossos corações e preservar os outros, especialmente nossas famílias e amigos, de serem magoados por nossos lapsos de maus tratos ou preguiça.
Eu rezo para que através do poder do Espírito todos vocês possam integrar o imenso exército de santos, curados e renascidos, que foram revelados a Ezequiel, que enriqueceram a história humana por incontáveis gerações e que foram compensados com a vida eterna nos céus.
Deixem-me concluir adaptando um dos mais poderosos sermões de Santo Agostinho, o melhor teólogo do primeiro milênio e bispo na pequena cidade Norte Africana de Hippo a cerca de 1600 anos atrás.
Eu espero que nos próximos 5 dias de oração e celebração em que seus espíritos se elevarão, como o meu sempre faz, na empolgação desta Jornada Mundial da Juventude, permita Deus que estejamos todos contentes por participar, apesar do custo, da trabalheira e das distâncias percorridas. Durante esta semana temos tudo para nos regozijar e celebrar a libertação de nossos arrependimentos, e revigorar a nossa fé. Somos chamados a abrir nossos corações ao poder do Espírito. E aos mais jovens, eu os advirto para que em seu entusiasmo e excitação não se esqueçam de escutar a Palavra e rezar!
Muitos de vocês viajaram por um caminho tão longo que de fato acreditam ter chegado aos confins do mundo! Que bom então, porque Nosso Senhor disse aos primeiros apóstolos que eles seriam Suas testemunhas em Jerusalém e nos confins do mundo! Esta profecia foi cumprida no testemunho de muitos missionários deste vasto continente do sul, e é cumprida novamente em nossa presença aqui.
Mas estes dias passarão muito rapidamente e na próxima semana devemos retornar a terra. Por um tempo, alguns de vocês irão encontrar o mundo real de casa e paróquia, trabalho e estudo, apertos e decepções.
Breve, muito em breve, todos vocês estarão indo embora. Por um breve período, nós agora estamos aqui em Sidnei no centro do mundo Católico, mas na próxima semana, o Santo Papa retornará a Roma, nós cidadãos de Sidney retornaremos às nossas paróquias, enquanto vocês peregrinos visitantes, retornarão às suas casas, em lugares próximos ou distantes.
Em outras palavras, durante a próxima semana, nós nos separaremos. Mas após participar destes dias felizes, permitam que nunca nos separemos de nosso amor por Deus e Seu Filho Jesus Cristo. E que, Maria, Mãe de Deus, a quem invocamos nesta JMJ como a Nossa Senhora da Cruz do Sul possa nos orientar nesta decisão.
Então eu rezo. Venha, venha ó Sopro de Deus, dos quatro ventos, de todas as nações e povos da terra e abençoe nossa Grande Terra do Sul do Espírito Santo.
Fortaleça-nos para que possamos ser outro grande e imenso exército de humildes servos e fiéis testemunhas.
E rezamos a Deus Nosso Pai, em nome de Cristo Vosso Filho. Amém. Amém.

+Cardeal George Pell, Arcebispo de Sidney

Igreja Maronita