A fé dos apóstolos é a nossa fé católica
14 jul 2008
Camilo nasceu no ano 1550 em Bucchianico, nos Abruzzos, no antigo Reino de Nápoles. Como aconteceu com São João Batista, sua mãe já era avançada em idade quando o concebeu. O pai, a serviço das armas, vivia mais nos acampamentos e campos de batalha do que no lar. Como poderia uma mãe idosa educar um menino que se tornou muito crescido para sua idade, e de um temperamento belicoso como o sangue que lhe corria nas veias?
Apesar disso, conseguiu ensinar-lhe os rudimentos da Religião. Mas, sem que ela o soubesse, a par disso o menino aprendia também o segredo dos naipes e dos dados, e aos 12 anos já era um viciado jogador.
Entre o jogo e as armas
Com a morte da mãe, Camilo entregou-se desvairadamente ao jogo, perdendo tudo o que tinha. Entrou então para o exército, onde aprendeu as virtudes e os vícios dos soldados.
Com o pai, foi alistar-se no exército que a República de Veneza meritoriamente recrutava para combater os turcos muçulmanos. Mas no caminho seu pai, João de Lelis, faleceu e foi enterrado perto de Loreto. Da herança de seu progenitor, Camilo recebeu um arcabuz e uma espada; e da herança divina, uma chaga misteriosa na perna, que aparecerá sempre que necessário, para conduzi-lo ao caminho de sua futura vocação.
A fome e a miséria, e sobretudo a supuração de sua chaga, fizeram-no desistir da carreira militar. Tocado pelo exemplo de dois franciscanos, com sua modéstia e doçura, Camilo fez voto de ser um deles. Mas por causa da chaga, não foi recebido.
Acabou indo para Roma, sendo recebido no Hospital dos Incuráveis como enfermeiro, para curar a perna e ganhar algum dinheiro. Mas a paixão do jogo o perseguia, e ele fugia do hospital para ir atrás das cartas. Como incorrigível, foi expulso do hospital.
Combatia como herói, jogava como um demônio
Pensou novamente na carreira das armas e entrou, a serviço delas, em um navio veneziano que partia para o Oriente. Participou de várias batalhas, e por estar gravemente enfermo não pôde combater em Lepanto, a famosa batalha em que Nossa Senhora apareceu e deu a vitória aos católicos contra os muçulmanos.
Enquanto lutava como um herói, jogava como um demônio. Uma violenta tempestade no mar fez com que ele, assustado, se lembrasse do voto de tornar-se franciscano. Passada a tormenta, esqueceu-se novamente do voto, continuando na carreira das armas e subjugado pelo vício do jogo.
Retornou a Roma para cuidar da chaga, que lhe reaparecera na perna. Mas perdeu no jogo até a camisa do corpo. Saiu da cidade, e em Manfredônia foi recebido pelos capuchinhos. O superior do convento, notando-lhe algo de especial, falou-lhe de Deus e da vocação religiosa. Camilo, tocado pela graça, converteu-se, sendo recebido como postulante. Quando passava pela vila, conduzindo duas mulas do convento, a criançada corria atrás dele gritando: “Aí vem o São Cristóvão, aí vem o São Cristóvão!”, devido à sua elevada estatura.
Máscara mortuária do Santo, que se conserva na igreja Santa Maria Madalena, em Roma
Na escola, humildemente entre os meninos
Quis continuar seus estudos, para ordenar-se sacerdote. Como Santo Inácio de Loyola, assentou-se nos bancos escolares com os meninos, o que o tornava sobremodo notório pela sua estatura, tão mais elevada que a de seus condiscípulos.
Entretanto, não era desígnio de Deus que ele permanecesse entre os franciscanos. A úlcera reapareceu em sua perna e eles, pesarosos, o despediram.
Voltou para a Cidade Eterna, onde permaneceu durante quatro anos até a úlcera ser curada. Julgou então seu dever voltar para os franciscanos, apesar de seu confessor, São Felipe Néri, o ter desaconselhado, predizendo que a chaga se reabriria. Foi o que aconteceu, tendo Camilo que voltar ao hospital.
Ali, dedicou-se a cuidar dos enfermos, chegando a ser nomeado administrador geral do hospital. Certo dia, olhando para o Crucifixo enquanto cuidava dos doentes, exclamou: “Ah! Seria necessário aqui homens que não fossem conduzidos pelo amor ao dinheiro, mas pelo amor de Nosso Senhor; que fossem verdadeiras mães para esses pobres doentes, e não mercenários. Mas, onde encontrar tais homens?”. Começou então a ruminar o pensamento da fundação de uma Ordem religiosa para essa finalidade.
O Papa Gregório XIV erigiu a nova congregação em Ordem Religiosa, em 1591
Nasce a Ordem dos Camilianos
Logo se lhe juntaram mais quatro discípulos, com os quais ele se reunia para rezarem e meditarem juntos, e depois cuidarem dos enfermos. Era o núcleo de sua futura congregação. Nas mil e uma dificuldades que surgiram para a consecução desse fim, ele sempre encontrava consolo em Nosso Senhor crucificado, que lhe dizia: “Não temas nada, eu estarei contigo”.
Camilo terminou seus estudos e foi ordenado sacerdote, rezando sua primeira Missa em 10 de junho de 1584.
Ele foi encarregado da capela de Nossa Senhora dos Milagres, fundando ali sua Congregação. Esse pequeno núcleo inicial dividia o tempo entre a prece e o cuidado dos doentes. Iam seus membros cada dia ao grande hospital do Espírito Santo, onde consolavam os enfermos, arrumavam seus leitos, varriam as salas, faziam curativos em suas chagas e preparavam os remédios que lhes eram prescritos. Mas cuidavam especialmente de suas almas, preparando os doentes para receber os últimos sacramentos, ajudando-os com suas preces e não se separando deles senão depois de suas mortes.
Confiança absoluta na Divina Providência
A Congregação nascente, por causa de sua caridade, encontrava-se cheia de dívidas. Certo dia em que os sacerdotes estavam muito tentados por essa razão, Camilo disse-lhes que era preciso confiar na Providência, como Nosso Senhor tinha dito a Santa Catarina de Siena: “Pensa em mim, que eu pensarei em ti”. E profetizou: “Antes de um mês estaremos com todas as dívidas pagas”. E realmente, antes de 30 dias um benfeitor faleceu, deixando-lhes considerável soma.
Os Ministros dos Enfermos, como eram chamados seus filhos espirituais, aos poucos foram abrangendo outras obras de caridade. Camilo quis que eles servissem também aos doentes atacados pela peste, aos prisioneiros, aos feridos em campos de batalha e aos que estivessem morrendo em suas próprias casas.
Sixto V confirmou a Congregação em 1586 e ordenou que ela fosse governada por triênio. São Camilo naturalmente foi eleito seu primeiro superior.
Os primeiros dois mártires da caridade
Aos poucos a obra foi se alastrando pela Itália. Primeiro foi o Reino de Nápoles que convidou os camilianos a fundar uma casa. Lá eles chegaram praticamente com a peste, e entregaram-se imediatamente ao atendimento dos empestados das galeras, que ninguém desejava socorrer. Dois dos discípulos de Camilo foram vítimas de sua heróica abnegação e morreram em conseqüência de sua caridade.
Em 1590 houve uma grande carestia em toda a Itália. Os pobres foram obrigados a se alimentar de animais mortos e de ervas. São Camilo passava pelas ruas de Roma, levando pão e vestes para os necessitados. Além da fome sobreveio o frio, que foi muito rigoroso naquele ano. Conta-se que o número de mortos em Roma e arredores foi de 60 mil. Muitas vezes, Camilo entregava seu próprio manto a pobres que estavam morrendo de frio. Chegou a dar o último saco de farinha que havia no convento. Seus religiosos fizeram-lhe ver que eles próprios arriscavam-se a morrer de fome. O Santo respondeu-lhes então que os pássaros do céu não semeavam nem colhiam, e que entretanto Deus os alimentava; quanto mais a eles, que eram seus filhos. Nesse mesmo dia, um padeiro da cidade trouxe-lhes o pão necessário, prometendo que lhes traria aquele alimento diariamente, até o fim da crise.
Presença imponente, energia contra blasfemadores
Em 1591, o Papa Gregório XIV erigiu a nova congregação em Ordem religiosa com o privilégio das mendicantes, sob obrigação de fazerem os três votos: pobreza, obediência e castidade. Seus membros eram proibidos de passar para outra comunidade religiosa, exceto a dos Cartuxos.
São Camilo era de uma imponente presença. Com mais de um metro e noventa de altura, corpo bem proporcionado, cabeça ereta, olhos escuros, um véu de tristeza parecia recordar-lhe a todo momento o pesar pela vida passada. Sua voz tinha matizes graves e severos, mas ficava inteiramente transformada quando falava da caridade. Uma testemunha diz que muitas vezes viram seu rosto coberto de chamas. Não tinha muito estudo, mas possuía uma sabedoria toda divina para o governo de sua Ordem e o cuidado dos enfermos.
Certa vez, passando pelo porto, ouviu alguns marujos blasfemarem. Saltou na coberta da nave, com um Crucifixo na mão, e lhes disse irado: “Miseráveis! Não sei como Deus tem paciência com vocês e o mar não os traga, ou um raio não os carboniza”.
Caridade extrema até nas vésperas da morte
Após a realização do quinto capítulo da Ordem em Roma, em 1613, ele foi visitar suas outras casas com o novo superior geral.
De volta à Cidade Eterna, esgotado já pelas fadigas e sofrimentos, soube que brevemente chegaria a hora de comparecer perante o tribunal divino.
A úlcera na perna acompanhou São Camilo por mais de 40 anos, até o fim de sua vida. Foi ele também atacado por outras moléstias, levando uma vida de sofrimentos. Em sua última doença, quis ficar no hospital, e levantava-se de gatinhas do leito para ir cuidar dos enfermos.
Enfim, no dia 14 de julho de 1614, como havia predito, entregou sua alma a Deus. Tinha 64 anos de idade.
Muitos milagres se operaram em seu túmulo. Em 1742 foi ele beatificado por Bento XIV, que também o canonizou quatro anos depois.
14 jul 2008
Só Deus para explicar… Pelo seu exemplo de vida Andressa nos ensina que devemos evangelizar hoje!
Paz e bem.
14 jul 2008
É aos que se encontram abrasados de amor, ou antes, àqueles que deseja abrasar neste amor, que o Salvador dirige estas palavras. Nosso Senhor não destruiu, antes ordenou, o amor que se deve ter aos pais, à esposa, aos filhos. Ele não disse: «Quem os amar», mas «Quem os amar mais do que a Mim». [...] Ama teu pai, mas ama mais o Senhor; ama aquele que te trouxe à luz do dia, mas ama mais ainda Aquele que te criou. O teu pai trouxe-te à luz do dia, mas não te criou, porque, ao gerar-te, não sabia quem serias nem o que virias a ser. O teu pai alimentou-te, mas não é a fonte do pão que te matou a fome. E o teu pai terá de morrer para que tu herdes os seus bens, mas terás parte na herança que Deus te destina se permaneceres com Ele para sempre.
Ama, pois, teu pai, mas não mais do que a Deus; ama tua mãe, mas ama ainda mais a Igreja, que te gerou para a vida eterna. [...] Com efeito, se deves sentir-te profundamente reconhecido àqueles que te geraram para uma vida mortal, que amor não deves ter por aqueles que te geraram para a eternidade? Ama tua esposa, ama os teus filhos segundo Deus, para os levares a servir a Deus contigo; e, quando estiverdes todos reunidos, não receareis ser separados. Quão imperfeito seria o amor que tens à tua família, se não te conduzisse a Deus. [...]
Toma a cruz e segue o Senhor. O teu Salvador, embora sendo Deus encarnado, revestido da tua carne, tinha sentimentos humanos quando disse: «Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice» (Mt 26, 39). [...] A natureza de servo de que Se revestiu por ti fez ouvir a voz do homem, a voz da carne. Ele assumiu a tua voz, a fim de exprimir a tua fraqueza, e de te dar Sua força [...], a fim de te mostrar que vontade deves preferir.
13 jul 2008
Santo Henrique, duque da Baviera e imperador do Sacro Império, foi educado por São Volfgango. Modelo de governante católico, empenhou-se na propagação da Fé, tendo papel de grande importância para a conversão de seu cunhado Santo Estêvão, rei da Hungria. Procurou restaurar, conforme a espiritualidade de Cluny, o espírito monástico então decadente, sendo nesse ponto aconselhado por Santo Odilon, abade de Cluny. Foi casado com Santa Cunegundes, vivendo ambos em perfeita continência. Depois do falecimento de Santo Henrique, ela foi terminar seus dias num mosteiro que havia fundado.
12 jul 2008
Pregação maravilhosa desse padre que tanto amamos, que hoje está na glória de Deus, mas as palavras de Jesus transmitidas por ele, continuam a converter nossos corações. Deus abençoe Pe. Léo.
12 jul 2008
Pertencia a uma família nobre e considerou um dever vingar-se do assassino de seu irmão. Depois de o ter longamente procurado, foi encontrá-lo numa Sexta-Feira Santa. Tocado pela graça, perdoou o inimigo e se fez monge. Fundou em Vallombrosa um ramo novo da Ordem de São Bento e combateu, pelo exemplo e pela pregação, a decadência do Clero de sua época.
11 jul 2008

São Bento nasceu em Núrsia, na Úmbria, por volta do ano 480.
Após concluir os seus estudos em Roma, retirou-se para o monte Subíaco e entregou-se à oração e à penitência. É o fundador do célebre mosteiro do Monte Cassino. Escreveu ali a sua famosa Regra. É considerado o pai do monaquismo no Ocidente.
Morreu no dia 21 de Março de 547. Duzentos anos após a sua morte, a Regra Beneditina havia-se espalhado pela Europa inteira, tornando-se a forma de vida monástica por toda a Idade Média.
Os monges beneditinos exerceram papel importante na evangelização e nos evangelizadores da Europa medieval.
“Orar e trabalhar, contemplar e agir” é a síntese da Regra Beneditina. A vida religiosa não é privilégio exclusivo de seres excepcionais e bem dotados espiritualmente. É possível a todos os que queiram buscar a Deus. Moderação é a tónica geral. Nela já não se fala de mortificação e de penitências: um bom monge era aquele que não era soberbo nem violento, “não comilão, não dorminhoco, não preguiçoso, não murmurador …”
Não é de estranhar que o emblema monástico tenha passado a ser a cruz e o arado …
Com S. Cirilo e S. Metódio, S. Bento foi declarado patrono da Europa.
10 jul 2008
Santa Felicidade foi martirizada em Roma durante o reinado de Marco Aurélio, depois de ter animado e exortado ao martírio seus sete filhos, Santos Januário, Félix, Filipe, Silvano, Alexandre, Vital e Marcial. A respeito da heróica matrona, assim escreveu São Pedro Crisólogo: “No meio dos cadáveres mutilados e sangrentos daquelas ofertas queridas, passava mais alegre do que antigamente ao lado dos seus berços, porque via com os olhos da fé uma palma em cada ferida, em cada suplício uma recompensa e sobre cada vítima uma coroa”.
10 jul 2008
Devemos nos espelhar nesse lindo exemplo de fé.
No mundo haveis de ter aflições. Coragem! Eu venci o mundo.
(São João 16,33)
9 jul 2008
Não é minha penúria que me faz falar. Aprendi a contentar-me com o que tenho.
Sei viver na penúria, e sei também viver na abundância. Estou acostumado a todas as vicissitudes: a ter fartura e a passar fome, a ter abundância e a padecer necessidade.
Tudo posso naquele que me conforta. (Filipenses 4,11-13)
Ontem terminei de ler um pequeno lindo livro do Monsenhor Jonas Abib chamado Combatentes na Alegria. E já no início do livro essa passagem da carta de são Paulo aos Filipenses foi cura para minha vida.
Tudo posso naquele que me fortalece. (tradução da Bíblia do Peregrino)
Fácil é pensar que somente nós temos problemas nessa vida. Nós somos inclinados à isso. O pecado, nosso sentimento de auto-piedade, nossas aflicões e medos, tudo isso faz pensarmos que o mundo inteiro está contra nós. Nada do que fazemos dá certo, para cada passo há uma queda.
Difícil é mesmo nesse turbilhão de angústias, louvar à Deus pelas maravilhas que Ele nos concede. Tanto na penúria quanto na abundância, Deus derrama sobre nós Seu imenso amor. Devemos sempre buscar a mansidão de coração, e aprendermos a silenciar.
Vamos pedir para Jesus nos fortalecer nessa jornada:
Senhor Jesus,
Hoje eu me encontro abatido, cansado de caminhar,
Senhor às vezes me pego murmurando e duvidando.
O desespero muitas vezes visita a minha casa,
e as angústias da vida, tiram-me a paz.
Jesus, hoje eu lhe peço, que se for da Sua vontade,
acalma as águas de meu coração, dê-me forças para lutar.
Não deixe que as tempestades da vida venham a me afogar.
Peço-lhe que olhe pela minha casa, meu emprego, minha família,
e consagro a ti todo o meu viver.
Como tu nos dissestes: Pedi e recebereis.
Peço-vos Senhor a Sua paz.
Abençoa Senhor, todos os que choram e estão aflitos.
Tudo posso em ti, que me conforta.
Amém